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Viva a sensação de visitar a Bienal de SP

09.11.2018 - 16:07:09
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Pensando uma outra resposta para aquela nossa dúvida inicial da semana passada, sobre por que ir à Bienal de SP, fiquei imaginando aquele leitor que justamente não quer ir, ou que não pode ir mas é interessado e quer conhecer mais e sabe que não tem tempo, ou dinheiro, ou os dois para visitá-la pessoalmente. Tentei selecionar alguns links que podem deixar essa Bienal mais interessante.  
 
Você poderá se deliciar no site oficial, onde encontrará um pouco de tudo ou links para quase tudo relativo à exposição. Mas o canal deles no YouTube também merece sua visita. Ali dá para assistir a dezenas de vídeos sobre as obras ou performances, e sobre os curadores e seus processos curatoriais (lembre-se que dessa vez são oito curadores, sendo que sete também participam como artistas). Ou assistir a muitos vídeos relativos às Bienais passadas. 
 
 
Aqueles que gostam mais de música do que artes plásticas irão gostar do perfil no Spotify, onde os curadores e vários artistas montaram playlists com as músicas que inspiraram o dia-a-dia dos seus ateliês, ou influenciaram direta ou indiretamente na criação dos seus trabalhos curatoriais. 
 
Cada curador organizou também um podcast explicando parte do seu processo criativo e outras curiosidades que valem a pena serem ouvidas no SoundCloud. São mais de 40 áudios com diferentes depoimentos, alguns impressionantes – como o de Wladimir Araújo, morador do Bairro Popular, em Goiânia, sobre o acidente com o Césio 137. Ou o depoimento da filha da artista goiana homenageada, Lúcia Nogueira, que infelizmente foi cedo para o andar de cima, mas nos deixou um trabalho importante e contundente, mais reconhecido e respeitado no exterior do que no nosso próprio país. Parece mais um daqueles casos “folclóricos” do nosso “complexo de vira lata”, que assombra não só nosso mundo artístico-cultural, mas também a cabeça da nossa elite econômica e política, onde o que parece fazer sucesso lá fora é sempre mais interessante e valorizado do que o que é feito aqui dentro. Mas isso é conversa para outro dia mais pesado ou chuvoso. 
 

"Sem tempo para vírgulas", de Lucia Nogueira
 

Por enquanto, tente acessar a página da Bienal no Instagram e assista a várias performances que aconteceram ou ainda acontecerão durante a exposição, que vai até o dia 9 de dezembro. Ou acesse a página deles no Facebook e acompanhe as várias atividades complementares e pedagógicas, como os “Exercícios de Atenção”, onde o público é convidado para práticas coletivas de atenção às obras expostas. Ou tente acompanhar alguns dos programas de “Des/re/organizações afetivas”, que partem das investigações curatoriais para promover encontros com instituições, grupos e iniciativas que efetuaram ou querem efetuar mudanças significativas em seus sistemas originais de gestão e produção. 
 
Ou seja, “nunca antes na história desse país” se produziu uma Bienal de SP com tanta pluralidade, apreço pedagógico e conteúdos disponíveis para serem apreciados ao vivo ou virtualmente como esta. Por sinal, até o restaurante, com suas releituras de pratos tailandeses e o café externo ao prédio, com seus móveis que foram criados especialmente para a Bienal, vão despertar a potência de sua atenção. Mas esses prazeres só indo ao vivo mesmo para poder desfrutar e usufruir.   
 
Mais duas ou três coisas sobre a Bienal de SP. Para tentar entender melhor a cabeça de um curador de arte através da música:
 
Gabriel Pérez-Barreiro, curador geral, disse que essas músicas remetem aos trabalhos dos artistas selecionados! Será mesmo? 
Playlist • Gabriel Pérez-Barreiro
 
 
Antonio Ballester Moreno escolheu só clássicos de Bob Marley! 😉
Playlist • Antonio Ballester Moreno
Playlist • Antonio Ballester Moreno Spotify

 

Ouça a incrível explanação de como Bob Marley inspirou um curador de arte, clicando aqui
 
 
O curador Waltércio Caldas levou o prêmio de melhor playlist, tanto pelo bom gosto e harmonização entre jazz e música erudita, quanto pela ousadia das escolhas! 
Playlist • Waltercio Caldas
Playlist • Waltercio Caldas Spotify
 
 
Para não dizer que não falei das aspas… Alertas preciosos de um curador de arte:
 
“Embora essa seja uma preocupação antiga, em nossa época a questão da atenção se tornou especialmente pronunciada. Estamos apenas começando a entender o impacto catastrófico das mídias sociais em nossas vidas interpessoais e políticas. A nossa atenção se tornou o principal produto que as plataformas ‘livres’ tentam revender, enquanto continuam a seduzi-la em nossas horas de vigília. No cerne desta edição há um desejo de reafirmar o poder da arte como lugar único para concentrarmos a atenção no mundo e em favor do mundo”, Gabriel Pérez-Barreiro.
 
“Acredito que a arte pode melhorar a qualidade do desconhecido”, Waltércio Caldas.
 
“Todas as vidas, sem exceção, são criativas, e o fim de toda criação não é a verdade pura do conhecimento em si, mas simplesmente melhorar a existência. Porque ver as coisas unidas, em sua infinita diversidade, é mais enriquecedor e satisfatório”, Antonio Ballester Moreno.
 
“Entretenimento não é visto como uma indústria séria e importante, ou como um segmento rentável o suficiente para merecer um grau maior de profissionalismo e investimento. Arte então, nem se fala!”, de um curador que não quis se identificar.
 
“São centenas de obras, três andares enormes e recheados com o que há de melhor e pior em termos de arte contemporânea. Pense como se fosse um num ótimo restaurante: por maior que seja seu apetite e sua fome, chega uma hora que você não aguenta comer mais nada. Na Bienal tem uma hora que você começa a não entender mais nada. Geralmente essa é a hora de ir embora”, de um curador que não quis se identificar.

 
Por último e não menos importante, já que o termo curadoria, curador ou processo curatorial parece estar mais na moda do que nunca, e para aqueles que realmente gostam da fruta ou se aventuram em águas um pouco mais turvas e profundas, dois curtíssimos depoimentos que valem a pena serem vistos, ouvidos, traduzidos, interpretados ou alguma coisa do tipo. Veja e tente decifrar o enigma. Mas não se preocupe, isso até pode ser verdade, mas é tudo sobre arte.
 
 
(Vídeos: YouTube/Bienal de São Paulo)
 
 
Quer conversar um pouco mais comigo ou dar alguma sugestão?

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Instagram: @dudaomelo
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por Dudão Melo

*Dudão Melo é Filósofo, Dj e pesquisador musical, atua como produtor cultural há 30 anos, além de fundador do Coletivo Superjazz e apresentador do programa de rádio Jazzmasters.

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