Ontem, estava ouvindo um clássico absoluto do rock brasileiro, o disco Viva do Camisa de Vênus. Uma pancada sem dó na orelha do começo ao fim. Gravado em 1986, o álbum é parte de um show em Santos, no litoral paulista. Segundo o vocalista Marcelo Nova, não se tratava de um evento especial na história da banda. Era só mais uma apresentação na agenda dos baianos que estavam em seu auge radiofônico, com o hit Eu não matei Joana D'arc tocando ininterruptamente nas FMs tupiniquins. A energia transborda em cada acorde.
O registro de uma banda no topo de seu vigor sempre é emocionante. Na audição de ontem, a música O Adventista me deixou reflexivo. Dentre as coisas que Nova afirma que acredita, em ícones da suposta sustentabilidade moral, religiosa e cívica brasileira, fui pensando no que eu não acredito de forma alguma. O cantor palestra com ironia destilada entre cada verso. Eu não sou tão rebuscado. Tosquidão é meu nome. E compartilho com você agora, caro leitor, o que eu não acredito.
Eu não acredito em quem tem certeza.
Eu não acredito em valentão de redes sociais.
Eu não acredito em quem não tem pelo menos 50 livros em casa.
Eu não acredito em quem quer opinar sobre música e só tem MP3.
Eu não acredito em discurso lido.
Eu não acredito em torcedor de televisão.
Eu não acredito em cerveja sem álcool.
Eu não acredito no prazer da alimentação saudável.
Eu não acredito em fé cega.
Eu não acredito em lágrimas na televisão.
Eu não acredito em trabalho sem amor ou dinheiro envolvido.
Eu não acredito em carro esquisitão.
Eu não acredito bar modernoso.
Eu não acredito em blogueiro como profissão.
Eu não acredito em manchete de jornal.
E você, nobre leitor, em que não acredita?