Desde Vargas, temos direito a longos e merecidos 30 dias de descanso remunerados após 12 meses de labuta. Durante todo o tempo que estamos no rala, pensamos, planejamos, sonhamos e idealizamos nossas férias. Basta aparecer um pepino no trabalho para que aquela imagem paradisíaca do local onde vamos descansar venha à cabeça.
O tempo passa, o estresse acumula, quase enfartamos no trânsito, mas o justo tempo de descanso chega. Aí, quando era para ser só diversão, o trabalho não sai de sua cabeça. Você está de folga, mas se lembra daquele relatório que deve ser entregue: "será que o pessoal do departamento está se lembrando?" Pronto, seu corpo está de férias, mas sua cabeça não.
Veja bem, não sou nenhum workaholic. Na verdade, posso ser considerado mais hedonista do que um fanático por trabalho. Em parceria com meu amigo de longa data, Frank Guerra, temos uma composição nunca terminada onde citamos mestre Raulzito: "O meu hedonismo é tão hedonista que o auge do meu hedonismo é querer trabalhar, só para ficar de boa e ninguém me importunar". Essa frase ilustra bem o que eu sinto pelo ato de trabalhar. É só uma ponte para o meu prazer, nada mais.
O que impressiona é que mesmo com essa percepção latina e católica do trabalho, não consigo me desligar. Volte e meia, algum pensamento que envolve minha rotina de responsabilidades, de compromissos me leva. Quando percebo, já estou fazendo projeções para esse ano no escritório, ideias para melhorar as práticas, sugestões para apresentar ao chefe e aos colegas… E não me orgulho nada de tal fato. Por que diabos isso acontece?
Eu queria ter um interruptor mental igual esses que acendem luz em que, de forma automática, eu pudesse direcionar meus pensamentos conforme o momento: trabalho e diversão. Não tenho dúvidas de que as coisas seriam mais simples assim. Minha sanidade agradeceria.