Sério, nem eu aguento mais repetir a notícia enguiçada das árvores que são derrubadas em Goiânia, então imagino bem a situação do leitor e da leitora que porventura aparecem.
Mas é que… não dá pra não falar. A Comurg (Companhia de Urbanização de Goiânia) derrubou mais de dez árvores na Praça Tamandaré, setor Oeste, nesta semana. Não deu para checar todas, pois rapidinho eles arrancaram vários troncos. Mas foi possível ver que muitas delas estavam saudáveis – pelo menos foi isso que constatou uma bióloga que eu acompanhei hoje no local.
A burocracia do Ministério Público também não ajuda muito. O corte das árvores começou na terça (13/9). Na quarta, a derrubada continuava e chegou uma denúncia ao Centro de Apoio Operacional de Meio Ambiente do órgão, que distribui para as promotorias vinculadas. No caso, a 15ª Promotoria só foi receber a incumbência de averiguar o que estava sucedendo à tarde! E apenas hoje, quinta-feira, a 15ª decidiu instaurar um inquérito civil público para, se for o caso, pedir a paralisação do corte de árvores (das quais não resta nem a lembrança mais).
O documento do MP só vai chegar amanhã, sexta (16/9), aos órgãos competentes – Comurg, Amma (Agência Municipal do Meio Ambiente) e Dema (Delegacia do Meio Ambiente). Nesse ritmo, se a Comurg quisesse já teria derrubado todas as árvores do setor Oeste.
Mas, segundo o presidente Luciano Henrique de Castro, não é isso que a Comurg deseja, ufa. Ninguém em sã consciência retira árvores só por retirar, me disse, por telefone. “Vamos revitalizar, recuperar o solo, plantar árvores adequadas, como baru, ipê e jasmim”. Diz que irão plantar mais de 50, e que foram só 12 árvores retiradas. “Elas foram plantadas há muitos anos, não eram espécies corretas e atingiam fios de alta tensão”. Mas… no meio da praça? “Sabia que já caiu árvore em cima de uma pessoa na Tamandaré? E tem fio em torno da praça”.
Tremo toda vez eu ouço falar em “revitalização” em Goiânia.
Eu poderia ir pra Porto Alegre, pois lá está a rua mais bonita do mundo, decretada Patrimônio Histórico e Ambiental da capital gaúcha em 2006. Em 500 metros, a via está sob um túnel formado por tipuanas, plantadas ali nos anos 1930 e cuidadas pelos seus moradores com unhas e dentes.
Bem slow
Mas, na verdade, pretendo ir é para Pirenópolis, se os astros assim permitirem. Começou hoje à noite na charmosa e linda cidadezinha serrana o Slow Filme, cheio de filmes gostosos e comidas interessantes. A mostra no cine Pireneus – um atrativo à parte, já que não é todo dia que se assiste à telona em um edifício art déco das antigas – terá ficções e documentários ligados à produção tradicional ou orgânica de alguns alimentos, entre outros temas.
Inclusive um filme do Helvécio Ratton sobre os queijos produzidos em Minas. Embora reconhecidos como patrimônio imaterial, eles não podem ultrapassar as fronteiras do Estado, devido a regras de vigilância sanitária. Pois é, de acordo com elas, é melhor comer enlatados do que autênticos exemplares da culinária da roça. Eu, hein!
A programação paralela inclui almoço com produtores agroecológicos, produção coletiva de farinha de mandioca e visita à chácara orgânica do seu Geraldo, que vira e mexe é palco dos encontros do convívio do Slow Food em Pirenópolis. No fim, claro, tem degustação. Bom demais.