Goiânia – Se você ainda não sabe quem é Walter, provavelmente não se interessa por futebol. O centroavante do Goiás ganhou projeção nacional por conta de duas características: o talento e os quilos excedentes que a balança aponta e aos olhos saltam. O camisa 18 esmeraldino é a razão de tanta gente se apaixonar pelo futebol. Poucos esportes permitem que variadas características físicas convivam tão bem. Do alto ao baixo, do corpulento ao franzino, do magrelo ao gordo. Tem espaço para todos nas 11 posições de um time.
A dinâmica do futebol permite que jogadores mais lentos e com corpanzil possam jogar. Sejam eles zagueiros, goleiros, volantes ou centroavantes. Dependendo do ponto forte do cara, ele se encaixa no time. Mesma coisa com os magrelos. Também existe lugar para o cara como lateral, meia ou atacante, posições onde a velocidade é uma grande vantagem.
Na infância é mais perceptível esse poder aglutinador do esporte bretão. Toda molecada se ajunta ao redor da pelota com a mesma paixão. De todas as idades, de todas as alturas, de todos os pesos, de todos os tipos. O futebol é ecumênico. Naturalmente, uns com mais talento que outros. Mas inclusivo nas possibilidades de diversão e de sonho de atingir o estrelato.
Outros esportes são mais restritivos quando ao físico do atleta. Baixinhos têm pouco espaço no vôlei, basquete ou natação, com poucas e honrosas exceções. O cara tem que ter um talento fenomenal para que seja compensada aquela diferença física entre a média de atletas. Acaba que o fator genético é mais preponderante que nesses casos do que em relação ao futebol.
Voltando a falar do Walter, a visão de jogo e a inteligência dele em campo são diferenciais que compensam sua baixa mobilidade. Os lançamentos precisos, alguns que Gérson assinaria, também precisam de destaque. Além de oportunismo para fazer muitos gols, o centroavante ainda têm uma boa média de assistências, deixando os companheiros em situação evidente de empurrar a bola para dentro, como aconteceu no jogo de ontem contra o Internacional. Walter sabe ainda finalizar com força e precisão de fora da área. Com um chute certeiro, ele pode decidir a partida.
Se é com os quilos extra que Walter continuará a encher os olhos da torcida do Goiás com seu exímio futebol, que assim seja! Vamos adiante que o Tufão já provou que segura a bronca. E que a diretoria do Goiás não perca a oportunidade de adquirir os direitos definitivos do atleta. Já perdemos Egídio e Ricardo Goulart que fazem muita falta ao time esse ano. Não contar com Walter no ano que vem seria horrível.